Outras Educações

Paulo Freire, a saudade

Por Carlos Rodrigues Brandão*

É preciso ousar, no pleno sentido desta palavra, para falar em amor, sem temer ser chamado de piegas, de meloso, de a-científico, senão de anticientífico. É preciso ousar para dizer cientificamente que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com esta apenas. É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo do emocional. Paulo Freire1

Entre pandemia, paralisias, palavras de esperança e pandemônios, como num mundo que imita Macondo sem ter a sua graça, nós nos preparamos – e pelo Mundo afora – para celebrarmos a memória e a presença de Paulo Freire, nascido há 100 deste 2021.

Antecipadamente me alegrei ao saber e ao imaginar (pois em sempre imagino bem mais do que sei) a quantidade, a qualidade, a pluralidade, e fertilidade de escritos, entre a teoria, a pedagogia e a memória, que deverão se pensados, escritos e dialogados. E que deverão se encontrar entre livros, álbuns, vídeos, filmes, exposições, encontros virtuais e vivenciais, colóquios e congressos. E em…

Imagino que por dever de ofício, por vício da profissão, por fidelidade à ciência, ou mesmo à universidade que imagina abrigá-la e aos seus praticantes, quase tudo o que se escreverá serão ensaios e estudos a partir da “obra de Paulo Freire”, sua incrível assertividade, sua coerência, sua criatividade, sua afortunada atualidade entre nós, passados tantos e tantos anos. Pois marco o “começo de tudo” no ano de 1960, quando Paulo trabalha com sua “equipe nordestina no Serviço de Extensão Comunitária da então Universidade do Recife e lembro de passagem o 1º Encontro Brasileiro de Movimentos de Cultura Popular, celebrado no mesmo Recife, em 1962 (ou seria 1963?). 

Para nos centrarmos sobre uma estranha e inapagável palavra originada do próprio Paulo Freire, uma pluralidade de estudos centrados em sua “inéditoviabilidade”. Ou seria “inéditovialidade?”

Assim é que, como um dos últimos “testemunhas oculares” (e vivenciais) dos “começos de nossa história”, eu me lembrei de alguns pequenos detalhes. É sobre eles que quero falar aqui ao pensar  – e imaginar para além do pensamento –  alguns temas para “o Centenário de Paulo Freire”. Temas de estudos, de memórias, de diálogos, de filmes, pinturas, poemas, peças de teatro, e até de pesquisas pedagógicas. Temas e questões que justamente por ser raros e estranhos, estou certo de que se Paulo Freire os visse, diria: “ah! Esses sim! São os temas freireanos do meu coração”.

E a quem antes de seguir lendo o que eu escrevo duvide (“lá vem o Carlos Brandão com mais uma das dele…”) trago aqui o mais direto, assertivo e contundente documento de Paulo Freire. Trago a pequena carta que desde Santiago, antes de partir, ele escreve ao casal Mari Edy (brasileira) e Jacques Chonchol (chileno) encaminhando nada mais e nada menos do que os manuscritos de Pedagogia do Oprimido2

Arte Agenda MST 2021

Queridos amigos
Jacques e Maria Edy

Faz este mês, exatamente, quatro anos que cheguei a Chile. Deixava Elza, deixava os filhos nossos, deixava uma velinha atônita ante o que lhe parecia impossível compreender. Deixava o Recife, seus rios, suas pontes, suas ruas de nomes gostosos – “Saudade” – “União – “7 pecados” – rua das “Creoulas”, do “Chora menino”, rua da amizade, do Sol, da Aurora. Deixava o mar de água morna, as praias largas, os coqueiros. Deixava os pregões: “Doce de bana e goiba”! Deixava o cheiro da terra e das gentes do Trópico. Deixava os amigos, as vozes conhecidas. Deixava o Brasil. Trazia o Brasil. Chegava sofrendo a rutura entre o meu projeto e o projeto do meu País.

Encontrei vocês. Acreditei em vocês. Comprometi-me com o seu compromisso no INDAP que você partejava.

Queria que vocês recebessem êstes manuscritos de um livro que pode não prestar, mas que encarna a profunda crença que tenho nos homens, como uma simples homenagem a quem muito admiro e estimo.

Paulo
Santiago, Primavera 19683 

Observem que em uma carta encaminhando um livro sobre a educação, Paulo Freire dedica a ele apenas as quatro linhas do parágrafo final. E entre o final da primeira e o começo da segunda ele, com humildade, antecipa que o livro enviado “pode não prestar”.  E se em algo “presta” há de ser por expressar uma “crença” profunda e profundamente “humanista”, e não qualquer saber ou inovação teórica significativa.

Todo o restante da carta é para falar de pessoas, de ruas, de paisagens e  de gestos guardados na memória, e com uma enorme saudade. Lembrar os nomes de suas “ruas do Recife” pareceu a Paulo bem mais importante do que tecer breves considerações teóricas antecipadas sobre o livro-manuscrito que encaminhava. 

Breve intervalo, Paulo Freire era marxista?

Que seja para lembrar como o essencial na vida de uma pessoa às vezes é tão secundarizado.

Afinal, quem era Paulo Freire?” “O que ele era?” Sobretudo ao longo do anos 60 e 70, quando entre nós, “militantes de esquerda”, era tão importante possuir e declarar uma “identidade ideológico-política” (“militante cristão”, “cristão de esquerda”, “padre socialista”, “marxista-leninista”, “comunista-maoísta”, etc.). Desde o Pedagogia do Oprimido (e creio que desde antes) ele escreve apenas uma assinatura, possivelmente muito vaga naquele então: “humanista”. E “humanismo”, creio ser o único qualificador de assinatura ideológica que povoa os seus escritos. 

Muito bem. Em uma entrevista de 1978. Paulo Freire, exilado, dialoga longamente com Ligia Chiappini Moraes Leite, uma professora da Universidade de São Paulo. O “encontro com Paulo Freire” foi publicado na revisa Educação e Sociedade. Transcrevo aqui toda a parte final da entrevista.

L. (Lígia) – No fundo eu quero te perguntar até que ponto hoje você é mais marxista do que era na época de Pedagogia do Oprimido.

P. (Paulo) …  – Talvez eu pudesse dizer, repetir o que tenho dito em certas entrevistas, que eu acho que expressa bem a minha experiência; é o seguinte: indiscutivelmente eu fui, na minha juventude, ao camponês e ao operário da minha cidade, movido pela minha opção cristã. Que eu não renego. Chegando lá, a dramaticidade existencial dos homens e mulheres com quem eu comecei a dialogar me remete a Marx. É como se os camponeses e os operários me tivessem dito: “Olha, Paulo. Vem cá, você conhece Marx?”.

Eu fui a Marx por isso. E, indo a Marx, eu começo a me surpreender com alegria, por ter encontrado Marx entre camponeses e operários. Quer dizer, certo tipo de análise, como aquela do meu pedagogo que eu citei no começo (da entrevista – CRB), em que ele me chamava a atenção para as coisas materiais em que a sua consciência se formava e se reformava… comecei a ver uma certa racionalidade original do pensamento marxista lá na área camponesa, de analfabetos. Então comecei a ver: puxa, esse cara é sério!

Não quero dizer que eu hoje sou um “expert” em Marx, ou que eu sou marxista. Por uma questão até de humildade. Eu acho que é muito sério alguém ser marxista. É preferível dizer que eu estou tentando tornar-me. E a mesma coisa em relação à minha opção cristã. Eu sou um homem em procura de tornar-me um cristão4.

E em um pouco conhecido vídeo do MST, creio que em seus últimos anos de vida, ao comentar toda a luta do movimento a partir de suas marchas (e então ele sugere uma infinidade de marchas por esse País) ele ao final diz textualmente o seguinte: “E se um deus há. E eu acredito em Deus5…”. 

Sigamos em frente. 

Em momentos mais próximos e bem menos acadêmicos e formais compartidos com Paulo Freire, lembro que as suas conversas prediletas eram sempre sobre “o saudoso trivial das pessoas e da vida”.  Sendo um “homem do mundo”, como ele sempre foi pensado (e auto-pensado), na verdade Paulo Freire nunca saiu do quintal de sua primeira casa. 

Antes de tornar-me um cidadão do mundo, fui e sou um cidadão do Recife, a que cheguei a partir do meu quintal, no bairro de Casa Amarela ….

Meu primeiro mundo foi o quintal de casa, com suas mangueiras, cajueiros de fronde quase ajoelhando-se no chão sombreado, jaqueiras e barrigudeiras. Árvores, cores, cheiros, frutas, que, atraindo passarinhos vários, a eles se davam como espaço de seus cantares. …

Aquele quintal foi a minha imediata objetividade. Foi o meu primeiro não-eu geográfico, pois os meus não-eus pessoais foram meus pais, minha irmã, meus irmãos, minha avó, minhas tias e Dada, uma bem-amada mãe negra que, menina ainda, se juntou  à família nos fins do século passado. Foi com esses diferentes não-eus que eu me constituí como eu. Eu fazedor de coisas, eu pensante, eu falante.

E ao redor de uma mesa de bar (um dos seus preferidos e mais pessoais “círculos de cultura”) nada mais inoportuno era alguém “puxar um papo pedagógico”. Pois então a memória de uma ampla sombra de uma mangueira e mais o gosto bom de suas frutas era um assunto bastante mais tocante e oportuno. Sobretudo entre pequenos copos de boa cachaça.

A palavra “política” sempre foi costumeira e essencial em Paulo Freire. Todo mundo lembra esta palavra, e há incontáveis páginas escritas sobre as relações entre: educação, cultura, sociedade e política. Mas a outra palavra primordial em Paulo Freire é “saudade”. E já que ele nunca a esquecia, eu pergunto… quem lembra dela, nele?

Saudade é exatamente a falta da presença. Saudade era a falta da minha rua, a falta das esquinas brasileiras, era a falta do céu, da cor do céu, da cor do chão, o chão quando chove, o chão quando não chove, da poeira que levanta no Nordeste quando a água cai em cima da areia, da água morna do mar. Eu tinha que reprimir essa saudade. E mesmo para criar, eu precisava ter essa saudade comportada6.

Afinal, se ser pedagógico-politicamente em Paulo Freire é tão essencial, o como pensar poético-afetivamente não é menos essencial. E nem o “como lembrar”, ou o “como não esquecer”.

Como esquecer? Como esquecer o nosso futebol!?… Como esquecer as retretas?… Como esquecer Benedito?… Como esquecer as cantorias, as serenatas?… Como esquecer Dona Cila Brandão me ensinando as funções sintáticas do “se”!? Como esquecer os meus sonhos de menino, o romantismo de meus primeiros amores!? Como esquecer os almoços, que Mãe Lula e Maria preparavam tão amorosamente!? Como esquecer!?7 

É com o testemunho desta carta essencial e de outros escritos e confidências, e mais a leitura das  suas  muitas passagens de alguns livros, dedicadas a sombras de mangueiras, a cartas a uma sobrinha, ou a lembranças queridas do quintal da primeira casa, que com a memória centrada mais na pessoa de Paulo Freire do que nas suas ideias, teorias, propostas e práticas pedagógicas (e derivadas),  que eu imaginei de sugerir, objetiva e devaneantemente, alguns temas a serem trabalhados e dialogados durante “os 100 anos de Paulo Freire”.

colagem com fotos de Paulo Freire e Carlos Rodrigues Brandão, arte de Claudio Barria com imagens de domínio público na web.
Carlos Rodrigues Brandão e Paulo Freire – Colagem de Claudio Barria com imagens públicas (cc)

Sugestão de temas para serem dialogados por ocasião dos “100 anos de Paulo Freire”, ao longo de 2021

(entre mesas de bar, mesas redondas, círculos de cultura, lives-circulares, etc.)

  • A “saudade” em Paulo Freire
  • A presença perene do Recife e de Pernambuco em Paulo Freire
  • A importância dos “fundos de quintal” no imaginário freireano
  • O “exílio no exílio”, quando Paulo teve que viver em apartamentos, como em Genebra e em São Paulo.
  • A proposta (frustrada) da criação – ao redor de uma mesa de bar em Campinas, com a presença e o apoio de Paulo Freire – de um “Instituto de Estudos Atrasados” na UNICAMP, por oposição à proposta (realizada) do recém-criado “Instituto de Estudos Avançados, na USP.
  • Elza Freire, a esposa, a mãe dos filhos, a companheira, a professora. Existe um excelente livro sobre ela, escrito por Nima Spingolon.
  • Madalena Freire… freireana?
  • E Fátima Freire… freireana?
  • As pessoas da “Equipe do SER, da Universidade do Recife: Aurenice Cardoso, Jarbas Maciel, Jomard Muniz de Brito. Estão vivas? Onde? Vivendo como? Lembrando o que?
  • Pessoas dos tempos do começo do exílio na vida de Paulo: Thiago de Mello (e seu belo soneto dedicado a Paulo, Francisco Wefford, Ernani Maria Fiori, Augusto Boal… e outros eu não recordo. E foram muitos.
  • O Teatro do Oprimido e a Pedagogia do Oprimido
  • Cordéis do Nordeste tendo Paulo Freire como tema (Crispiniano Neto e outros)
  • Músicas do Nordeste, do Brasil e do Mundo inspiradas em Paulo Freire
  • Poesias e peças de teatro também inspiradas nele
  • A importância do trabalho junto a camponeses no Chile (talvez o trabalho contínuo mais durador na vida de Paulo)
  • A equipe do exílio na Europa e a criação do IDAC: Marcos Arruda, Miguel Darcy de Oliveira, Rosiska Darcy de Oliveira, Claudius Ceccon… e quem mais?
  • O livro quase esquecido: “Cuidado, Escola!”
  • Africanos “mestres” de Paulo Freire: Franz Fanon, Samora Machel, Amilcar Cabral… e quem mais?
  • Luiza Erundina e os tempos da Secretaria de Educação de São Paulo
  • Ana Maria Freire – Nita Freire
  • As leituras não pedagógicas, nem filosóficas, sociológicas, ou de ciências afins de e em Paulo Freire.
  • Romancistas nordestinos e sua importância na vida e nas ideias de Paulo Freire
  • Seu desejo não realizado de escrever poesia (que eu saiba, ele escreveu e divulgou uma: “Canção Óbvia”)
  • PT e Paulo, a difícil relação.
  • A persistência do Nordeste no gosto de comida em Paulo Freire, e a perene “saudade gastronômica” de Pernambuco.
  • Paulo Freire e Rubem Alves: a estranha amizade
  • Lembranças: Quando do contrato de Paulo Freire como professor MS-6- titular na UNICAMP, alguém do Conselho Universitário contestou… pois Paulo não possui “doutorado”. Uma carta de Rubem Alves, a pedido da direção do Conselho, pôs fim à questão. Eles compartiram anos da Faculdade de Educação da UNICAMP.
  • O confronto entre escritos de Paulo Freire e de Rubem Alves, escritos mais ou menos na mesma época: Pedagogia do Oprimido e Por uma Teologia da Libertação (publicado antes do Pedagogia do Oprimido e em que duas vezes Rubem Alves transcreve passagens de Educação como Prática da Liberdade)
  • Paulo Freire e Demerval Saviani: a distante “cologuicidade”.
  • Partilharam a FE da UNICAMP. Demerval Saviani participou conosco, sob coordenação de Moacir Gadotti, de um documento de base sobre educação para o PT. Foi por anos colega de trabalho com Paulo, mas afastou-se dele e de nosso pequeno grupo. Estivemos juntos em bancas de tese na FE da UNICAMP.
  • A importância da amizade e do trabalho conjunto entre Paulo Freire e Moacir Gadotti.
  • Cuba e Paulo Freire.
  • Paulo Freire e a Nicarágua (estivemos juntos lá em um evento de apoio à Revolução Sandinista).
  • A trajetória de Paulo Freire entre pessoas, coletivos e instituições cristãs: ISAL – Igreja e Sociedade na América Latina (que publica em Cristianismo y Sociedad, como artigos, os capítulos de Pedagogia do Oprimido, bem antes do livro); o Conselho Mundial de Igrejas, o Movimento de Educação de Base, A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
  • O estranho traje costumeiro em Paulo: calça, paletó de terno sem gravata… e tênis.
  • O Movimento de Educação de Base da Equipe de Goiás e a recriação do Método de Alfabetização Paulo Freire para uso em escolas radiofônicas, com este nome: BENEDITO E JOVELINA (um casal de camponeses goianos e as dias primeiras palavras geradoras).
  • As conversas longas, sem teoria e pedagogia, ao redor de mesas de bar. Provavelmente uma das origens do “círculo de cultura”.
  • O professor Paulo Freire (será que existem registros de anotações para as suas aulas?).
  • Paulo Freire e os passarinhos.
  • A origem da sequência atribuída a Paulo: “a educação não muda o mundo; a educação muda as pessoas; as pessoas mudam o mundo”. Foi algum dia posta por escrito? Onde?
  • As anotações de Paulo Freire para suas palestras públicas (sei de algumas de puro improviso, e notáveis. Certa feita em Buenos Aires, ao meu lado, em uma mínima folhinha de papel ele anotava palavras, uma sob a outra. Disso saiu uma palestra de hora-e-meia, depois editada pelo CEAAL e que eu coloquei como uma das “memórias” do “A Pessoa de Paulo”.
  • O “menino-conectivo”
  • “Quero ser superado!”

Eis um pequeno apanhado de ideais a serem trabalhadas ao longo do “ano do centenário de Paulo Freire”. As reticências ao final sugerem que esta é uma relação lembrada num repente e sem pesquisa alguma. E que elas podem muito bem serem pessoal e coletivamente completadas… infinitamente. 

Essas sugestões transdisciplinares, transgressivas e, algumas delas, algo travessas, em nada substituem os temas, as questões e dimensões mais pedagógicas, propositivas e políticas que sugerem e desafiam a pessoa, a obra e o legado de Paulo Freire até hoje, e penso que por longas eras ainda. 

Elas querem apenas sugerir algo de um “outro e mesmo Paulo”. 

Afinal, se você porventura provocasse Paulo Freire a dizer algo sobre “os fundamentos da pedagogia dele”, em um círculo de estudos em uma sala de aulas da Faculdade de Educação da UNICAMP, ele responderia a você larga e fecundamente. 

Mas se você fizesse a mesma pergunta ao redor de uma mesa de base em Barão Geraldo (o distrito onde fica a UNICAMP e onde nos refugiávamos depois de um dia de “trabalhos acadêmicos”), é provável que ele respondesse, perguntando se você “prefere tomar cerveja ou cachaça”; de onde você é; se você sente saudades de “lá de onde veio”… e quais são os passarinhos, as flores e as frutas de que você mais gosta. 

E que assuntos relacionados à educação ficassem pro dia seguinte, de manhã, na universidade.

Campinas, Manhã (afinal) de chuva e vento, 9 de outubro de 2020 
Carlos Rodrigues Brandão


Notas

1. Não sei dizer o local original desta passagem de Paulo Freire. Sem maiores indicações eu a tomei de um artigo do educador gaúcho Euclides Redin: Paulo Freire –  da “linguagem da crítica” para a “linguagem da possibilidade”. Foi 1. publicado nos Cadernos pedagógicos 2, da Secretaria de Educação do Governo do Rio Grande do Sul, como parte da inesquecível “Semana Pedagógica Paulo Freire” em Porto Alegre, no ano de 2001. 

2. Copio na íntegra a carta de Paulo da página 37 de: Pedagogia do Oprimido (o manuscrito), publicado em edição fac-símile e com transcrição impressa, pela Editora e Livraria do Instituto Paulo Freire, com a participação da UNINOVE e da BT Acadêmica. A edição que tenho é de 2018 (há uma anterior) e ela foi organizada por Jason Ferreira Mafra, José Eustáquio Romão e Moacir Gadotti. Na página 36 aparece a mesma carta em seu original manuscrito.

3. Andei antes espalhando algumas inverdades e erros. Numa primeira leitura apressada e com os direitos de lapsos de memória costumeiros em octogenários, escrevi mais de uma vez que Paulo já estava nos EUA, desde onde enviou o manuscrito ao casal Chonchol. De outra parte, transcrevi aqui a carta ao pé da letra, inclusive com o que hoje seriam “erros gramaticais”. Observem que Paulo escreve “doce de bana e de goiba”.  Seria assim mesmo? Seria uma expressão do Recife de seu tempo? Seria um engano de Paulo, apressado na carta, e o correto seria: “doce de banana e de goiaba”. Recordo que Paulo Freire, muito antes de se dedicar a estudos de Pedagogia, era um estudioso fanático de “Gramática da Língua Portuguesa”. Seu Método de Alfabetização bem o revela.

4. A entrevista foi publicada entre as páginas 47 e 75 da revista Educação e Sociedade nº 3, de 1979.

5. Não tenho dados sobre este vídeo, com uma longa fala do Paulo Freire sobre uma Marcha do MST e as muitas marchas que deveriam ocupar ruas e praças do Brasil, Não seria difícil encontra-lo na internet.

6. Está na página 42 do livro escrito pela professora Vera Barreto, sobre Paulo Freire. Qual é mesmo o nome do livro?

7. Carta a Dino, extraída do livro Pedagogia da Correspondência – Paulo Freire e a Educação por cartas e livros, de Edgar Pereira Coelho. É uma das “cartas do exílio (CE A9 – Carta a Dino). Desta nota em diante o livro será indicado assim: Correspondência. No livro a carta está na página 201. Ela é datada de 19 de setembro de 1972.


nota da edição

Carlos Rodirgues Brandão e Paulo Freire Inspiraram desde o primeiro momento as ações do Coletivo Pluriverso e o exemplo do seu agir e sentipensar estão na base do conceito de educonexão que estrutura a Pluriverso. Para saber mais veja os artigo A Emergência do Pluriverso.

*Carlos Rodrigues Brandão é Poeta e Educador popular. É mestre em Antropologia, doutor em Ciências Sociais, livre docente em Antropologia do Simbolismo e possui pós-doutorado na Universidade de Perugia e na Universidade de Santiago de Compostela.


Acolhendo a generosa proposta do querido Carlos Brandão, convidamos você a participar do foro aberto Outras Educações, dentro da plataforma Pluriverso. É só criar seu perfil, se ainda não tiver um.

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