Beatriz Goes
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Beatriz Goes
Membro30 de julho de 2025 em 08:22 em resposta a: Histórias pessoais para narrativas de campanhaOiê, sou Beatriz, ou Bia, nativa e moradora da Reserva Extrativista Prainha do Canto Verde no município de Beberibe, no Litoral Leste do Ceará. Tenho 27 anos e desde criança participo das atividades no meu território, desde encontros acompanhando meus familiares como culturais, onde participei de diversos grupos locais e aprendi a cantar e tocar no coral infantil e outras diversidades.
Sou filha e neta de pescadores artesanais e agricultores, mas que também sempre estiveram ligados diretamente na luta em defesa dos direitos do nosso território e maretório para que possamos estar até hoje morando e sobrevivendo de uma forma orgânica do lugar, das memórias, da cultura e de várias outras formas de viver junto com a comunidade e a natureza.
Minha comunidade é referência o a atividade do Turismo Comunitário que trabalha desde a década de 90, como uma forma de resistir na comunidade e contra a especulação imobiliária que até atualmente busca entrar no lugar de uma forma impactante para explorar o que temos de espaço e memórias vivas e presentes no lugar. Também é uma referência cultural no Estado, tendo como presença viva a tradição das cirandas de roda/praia, os papangus, compositores locais, artesãs e outras expressões culturais; a comunidade obtendo o título de “Tesouro Vivo” do Estado do Ceará.
A décadas meus bisavós, avós, pais, tios e outros familiares e parentes lutam pelo território na busca de viver melhor a cada dia sem precisar depender dos grandes empreendimentos e deixando uma comunidade viva e resistindo para as atuais e futuras gerações. Eu sou parte da futura geração dos meus bisavós e avós, mas busco continuar os ensinamentos para as minhas futuras gerações.
Assim, além de estar desde criança participando dos espaços; ao longo da minha adolescência fui me afirmando mais nos grupos, formações e discussões locais para que pudesse chegar onde me encontro hoje.
Aos meus 18 anos ingressei na Universidade Pública, sendo referência em minha família como a primeira neta de meus avós a ingressar no nível superior na Universidade Federal do Ceará e continuando ativamente nos movimentos comunitários e sociais por acreditar nos propósitos que meus ancestrais viveram e lutaram, abrindo caminhos para que os que vieram após mim também percebesse a importância e a possibilidade de seguir na luta e conciliar com a vida profissional e acadêmica.
Com esta campanha, percebo o potencial de apresentarmos nossas diversas formas de sermos e das nossas lutas para que a sociedade possa perceber que nossos territórios e maretórios não estão e continuam existindo por um ACASO, e sim porque existem nós e muitos outros antes de nós que resistem e resistiram em diversas batalhas na esperança de viver bem, em família e podendo fazer uma caminhada na praia, tomar um banho de mar, poder sentar nas dunas para apreciar um pôr do sol ou seu nascer, acordar ouvindo o cantar dos pássaros e se alimentar do que a natureza oferece, sem exploração e nem ambições, sempre com a consciência que precisamos cuidar para que possamos obter e continuar resistindo e existindo nos nossos diversos territórios, maretórios e mais de 28 segmentos de PCTs no Brasilzão.
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Argumentos da campanha: pensando
1- Visibilidade dos segmentos de PCTs
2- Compreensão de PCTs
Mensagens:
1- O Brasil é Território de povos
2- Antes de sermos brasileiros somos povos
Sugestão de nome da campanha
1- Somos todos PCTs
2- O Brasil é PCTs
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O presente é Ancestral
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