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    William Hipy

    Membro
    30 de julho de 2025 em 14:04 em resposta a: Histórias pessoais para narrativas de campanha

    “Sou William Hipy do Espírito Santo, tenho 24 anos, filho da comunidade Vista Alegre, no coração da RDS do Rio Amapá, no Amazonas. Minha história começa no meio da floresta, entre o som dos rios e o cheiro da vida simples. Cresci vendo meus avós tirando da terra e das águas o sustento da nossa família — com sabedoria, com respeito, com amor. Essa vida me ensinou que cada gesto nosso carrega a força de quem veio antes.<div>
    </div><div>Desde cedo, aprendi o valor do coletivo. Aqui na comunidade, o puxirum é uma tradição viva. É o mutirão no roçado — um dia no terreno de um, outro dia no do vizinho. Juntos, a gente encuivara, limpa, cava e planta a maniva, que depois vira a mandioca da qual nasce nossa farinha. Essa farinha, feita com suor e união, sustenta nossas mesas e fortalece nossa identidade.</div><div>
    </div><div>Aos poucos, fui encontrando meu caminho também no campo da mobilização social. Comecei como monitor da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), atuando durante um ano na própria RDS do Rio Amapá. Lá, realizava levantamento da produção comunitária, visitando casa por casa nas ondas, ouvindo, anotando, aprendendo. Depois, fui aprovado como Agente de Desenvolvimento Sustentável, também pela FAS, e atuei por mais um ano em sete unidades de conservação, levando informação, apoio e incentivo ao protagonismo das comunidades tradicionais.</div><div>
    </div><div>Mas eu queria mais: queria ver os jovens da floresta falando por si mesmos. Foi assim que surgiu o coletivo Jovens do Beiradão, do qual sou um dos idealizadores. Um espaço onde a juventude ribeirinha pode trocar saberes, sonhar junto, se organizar e mostrar que também tem plano, tem projeto, tem proposta.</div><div>
    </div><div>Na Vista Alegre, temos um potencial enorme na agricultura familiar. A força da nossa economia vem da farinha, do tucumã, do açaí, da castanha, da pupunha, da melancia, da banana… Tudo produzido de forma tradicional, com respeito à natureza, e com possibilidade de gerar renda, dignidade e permanência no território.</div><div>
    </div><div>E todos os anos, essa força se renova na nossa maior festa: a de Nossa Senhora do Rosário. É o momento em que a fé e a cultura se encontram. Tem ladainha, tem dança, tem comida farta, tem memória. É um tempo de agradecimento e reconexão com nossas raízes.</div><div>
    </div><div>Hoje, quando eu olho pra minha trajetória, vejo que ela é parte de algo maior. Sou filho do puxirum, da farinha, da fé e da floresta. E quero usar minha voz pra fortalecer outras vozes como a minha — que nascem do interior, que vêm da beira do rio, que luta com esperança.</div>