Respostas do fórum criadas

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    Jander Barbosa

    Membro
    16 de julho de 2025 em 10:46 em resposta a: Histórias pessoais para narrativas de campanha

    Cresci em Manaus, em uma área periférica da cidade, onde o acesso à educação de qualidade era um privilégio que poucos tinham. O colégio público que estudei não tinha cadeiras para todos os alunos, e as vezes faltava professores.

    Aos 8 anos consegui uma bolsa integral em um colégio particular. Um choque de realidade. A escola tinha uma infraestrutura muito melhor, mas também tinha mais racismo velado. Com meus traços indígenas, sempre tinha piadas e discriminação.

    Com os estudos, comecei a entender mais sobre o contexto em que vivia. Aos 17, fiz o ENEM e passei no curso de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), localizada na zona oeste da cidade. Conheci um Rio de Janeiro cheio de desigualdades sociais e uma realidade que não passava na tv, nele o racismo era menos velado que em Manaus, eu destoava da multidão. A maioria da população, diferente do Norte, não tem traços indígenas. Além disso, sofri xenofobia por ser nortista, por alunos e por professores também. Contudo, sempre tive apoio do meu irmão, que estudava na mesma universidade, dos meus amigos nortistas e dos meus parentes indígenas, que também enfrentavam as mesmas barreiras.

    Aos 23 anos, terminei a graduação e fui aprovado para o mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e retornei a Manaus. Durante o mestrado, descobri minha etnia, povo Kokama. Pude compreender mais minha identidade e minhas origens.

    Nesse período me engajei mais com os movimentos sociais. Passei a buscar aprender sobre a língua e a cultura do meu povo, e participei de projetos voltados à construção de viveiros e à promoção de sustentabilidade. Comecei a fazer parte do Instituto EcoVida, que desenvolvia ações voltadas aos povos e comunidades tradicionais, como indígenas, andirobeiras e ribeirinhos. Nossos projetos sempre orientados por um compromisso com a preservação cultural e ambiental, respeitando as práticas e saberes tradicionais.

    Em 2024 ingressei no Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas. Nesse movimento, participei de diversos eventos de incidência política, lutando pelos direitos dos povos indígenas e pela valorização da educação escolar indígena. No mesmo ano, também comecei a fazer parte da juventude da Rede de Povos e Comunidades Tradicionais (Rede PCTs), onde tive a oportunidade de realizar diversas ações políticas em eventos como o Encontro Internacional de Territórios e Saberes, o Seminário Nacional de Juventude e Meio Ambiente, e o Encontro Regional de Povos Indígenas e Povos e Comunidades Tradicionais, entre outros.

    Nesses eventos aprendi sobre a importância da comunicação popular. Aprendi que, nesses espaços, é essencial não só falar por mim, mas também representar a voz daqueles que não estão presentes, comunicando sobre os nossos modos de vida e as realidades dos 28 segmentos de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil.

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      Jander Barbosa

      Membro
      30 de julho de 2025 em 15:00 em resposta a: Histórias pessoais para narrativas de campanha

      <div>Um destaque sobre a cultura do meu território: Ajuri</div>

      O Ajuri é como chamamos a união para realização de trabalhos. Seja no roçado, na casa de farinha, na confecção do tucupi, etc. É uma tecnologia ancestral, uma das diversas que hoje ainda existem, que foi passado de geração em geração até chegar os dias de hoje. Muitas das tecnologias indígenas são utilizadas atualmente, quase sempre sem dar os devidos créditos. O método de extração de látex da seringueira, por exemplo, é uma tecnologia do povo Kambeba [amizade antiga com o povo Kokama], do alto Solimões, que confeccionavam artefatos, vestimentas e calçados com a borracha extraída das seringueiras.

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    Jander Barbosa

    Membro
    10 de julho de 2025 em 20:51 em resposta a: Narrativas para campanha!

    Argumentos da campanha: Onde os PCTs estão é onde a natureza se mantém, ao longo dos anos os povos e comunidades tradicionais vivem em harmonia com seus territórios e maretórios.

    Mensagens (frases de efeito da campanha:

    futuros ancestrais, diversos e compartilhados.

    Sugestão de nome da campanha:

    Povos e Comunidades Tradicionais resistindo e ensinando a reexistir.

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