O conceito de “educonexão” é central para o sistema de gestão da aprendizagem da Pluriverso. É concebido como uma abordagem inovadora para a gestão da aprendizagem que facilita a criação autônoma de comunidades e redes digitais. As primeiras reflexões que levaram educadores populares, pesquisadores em educação, designers e comunicadores populares a desenvolver o conceito de Educonexão, surgem a partir de uma primeira reação de estranhamento ante o nome dado comumente ao ensino online: Educação à Distância ou apenas EaD.
Como juntar educação e distância em um mesmo conceito e continuarmos em coerência com nossa longa trajetória de aprendizados advindos da práxis coletiva da Educação Popular? Parecia que no meio digital, só era possível a reprodução de práticas conteudistas e lineares da educação, onde um expõe conhecimentos e o outro recebe, sem diálogo nem interação.
O termo “Educonexão” carrega consigo elementos de uma filosofia pedagógica para a aprendizagem digital autônoma e a construção de comunidades dentro da Pluriverso. A base para essa abordagem tecnológica e pedagógica já é robusta, aproveitando experiências existentes, conhecimentos acumulados e tecnologias colaborativas como a cibercultura, softwares de código aberto (Open Source), licenciamento Creative Commons e iniciativas Open Access. Esses recursos permitem o desenvolvimento de estratégias de mediação seguras, eficientes e autônomas.
A adoção de tecnologias como Open Source e Creative Commons pela Pluriverso não é apenas uma escolha técnica, mas uma declaração ética e política que visa construir uma infraestrutura digital que se contrapõe diretamente à lógica do capitalismo de vigilância e da espetacularização. Open Source e Creative Commons são tecnologias que emanam princípios que promovem a colaboração, a transparência e a autonomia do usuário, em oposição ao controle proprietário e à monetização de dados.
Entendemos que não é possível separar tecnologia de visão de mundo, isto é, nossas opções são sempre opções políticas. Ao escolher essas bases, a Pluriverso está construindo uma alternativa digital que reflete seus valores de coloniais e de economia solidária, garantindo que a tecnologia sirva à “potência civilizatória” dos sujeitos subalternizados, e não ao controle corporativo.
o conceito de educonexão e sua primeira experiência concreta, a plataforma Pluriverso, surgem na contramão, buscando conectar trajetórias coletivas de movimentos, territórios e organizações, em torno de causas e percursos formativos.
O conceito de Educonexão não se restringe ao uso de tecnologias digitais, nem se esgota nos ambientes digitais, embora não prescinda deles. Pelo contrário, trata-se de um conceito complexo, interplataforma, que se propõe a contribuir como espaço de mediação de processos sociais, em diversos ambientes que questionam e interpolam virtualidades de processos coletivos de diálogo de saberes a partir de territórios locais também diversos.
Como desdobramento do fazer-pensar a educação popular, o conceito de Educonexão se sustenta no entendimento de que a convergência de trajetórias coletivas em torno de uma ideia força ou de uma causa comum, produz conhecimento politicamente pertinente a partir da ampliação da superfície de contato dos sujeitos envolvidos, ampliando o impacto das suas ações.
Nesse sentido, ganha relevância e contexto o primeiro registro do conceito de educonexão, definido no artigo acadêmico “Comunicação, educação e vigilância popular em saúde em tempos de COVID-19”, (LATGÉ; ARAUJO e SILVA JÚNIOR, 2020) como relativo à construção de processos orgânicos e colaborativos para potencializar processos coletivos de construção de conhecimento. Uma conexão educativa a partir da integração de ferramentas digitais somadas a práticas orgânicas territorialidades, postas em relação, em uma epistemologia de polifonia de saberes.
Em um sentido mais amplo, podemos apontar que a Educonexão, longe de ser um novo modelo de plataforma de EaD, constitui uma abordagem pedagógica que entrelaça, de forma inovadora e até improvável, conceitos da educação popular, do webdesign e da comunicação, mais especificamente da educomunicação. Isto é feito ao entrelaçar a compreensão da Educação (Freire), da arte (Barbosa) e da Comunicação (Barbeiro, Sodré) como espaços de mediação social e cultural. E busca entrelaçar, a partir desse entendimento, as três tecnologias da memoria apontadas por Levy a oral, a escrita e a informática.