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O que é e como usar a Plataforma de Educonexão Pluriverso

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  1. Apresentação e conceito

    1 | Por que a Pluriverso?
  2. Do EaD à Educonexão
  3. Visão geral da Pluriverso
    Entrelaços em rede (Interações possíveis)
  4. Entrelaços em rede, o nosso "feed"
    3 Tópicos
  5. Controlar Notificações de e-mail e web
  6. Como instalar o aplicativo da Pluriverso em seu celular – Android e IOS
  7. O meu Perfil
  8. Página de Membros
  9. Conectar-se ou seguir
  10. Bate papo em tempo real
  11. As pincipais áreas de educonexão
    (per)Cursos
  12. Comunidades
    1 Tópico
  13. Canais de debate (a roda)
  14. (per)Cursos - Criar e Configurar
    Conhecendo o Painel do Instrutor
  15. A boneca russa: Entendendo a lógica do Construtor de (per)Cursos
  16. Criando um novo (per)Curso do zero
  17. Acessando um (per)Curso para edição
  18. O painel do (per)Curso [dentro do Editor]
  19. Arrasta e Solta, o editor em blocos
  20. A biblioteca de mídias
  21. Editando a Página principal do (per)Curso
  22. Estruturando os conteúdos do (per)Curso
  23. Configurações do (per)Curso
  24. Aulas ou Encontros
    Aulas/Encontros
    5 Tópicos
  25. Tópicos de uma aula
  26. Questionários
    Estrutura, configurações e vinculação de Questionários
    4 Tópicos
  27. As questões de um questionário

Olá!

Este módulo introdutório estabelece o cenário para a compreensão da Plataforma de Educonexão Pluriverso, enquadrando sua emergência em um contexto de desafios globais profundos.

Para início de conversa, queremos te convidar a assistir esse vídeo em que apresentamos esse contexto, o porquê e a proposta da Pluriverso.


A Pluriverso: Propósito e Visão

A primeira plataforma de Educonexão, a Pluriverso – Diálogo de Saberes, nasce, no contexto da pandemia da COVID-19 em 2020, dando lugar, logo após, a um processo de formação de mais de 1800 Jovens Comunicadores, realizado pela OSC BemTv. A Pluriverso surge como uma iniciativa inovadora, concebida para responder a desafios contemporâneos e para catalisar a transformação social. Seu propósito central é o fortalecimento de coletivos e organizações, ampliando o impacto de suas ações e fomentando “diálogos de saberes” essenciais para uma mudança de paradigmas na sociedade.

Ela foi concebida em março de 2020, a partir da percepção coletiva de que um retorno à “normalidade” pré-pandemia não era mais viável e do entendimento de que, em vez disso, a humanidade estava imersa em um movimento complexo de profunda transformação. Essa compreensão posicionou a Pluriverso como uma iniciativa de longo prazo, parte de um movimento mais amplo de reinvenção estrutural da sociedade. A necessidade de fortalecer redes locais, coletivos e organizações cujas ações promovem a vida em comum de forma sustentável e solidária tornou-se para nós um imperativo ético.

A visão da Pluriverso enfatiza a co-elaboração e a conectividade entre “fazeres e saberes” – ou seja, entre as práticas e os conhecimentos que emanam delas. O objetivo é fortalecer coletivos e redes, criando novas possibilidades de existência “em roda”, um conceito que evoca a circularidade e a comunidade. A Pluriverso busca entrelaçar ações locais em uma perspectiva mais ampla de desenvolvimento eco-sustentável e de florescimento da diversidade biocultural.

A “roda” simboliza a troca, a mística e a poética que historicamente animam os encontros humanos. Esse ethos é explicitamente inspirado no Sankofa, um símbolo Adinkra do povo Akan de Gana, que significa “não é tabu voltar para buscar o que esquecemos no caminho”. Essa inspiração, expandida por Abdias do Nascimento para “retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro”, sublinha o nosso compromisso com a valorização das sabedorias ancestrais, a força coletiva e a reapropriação ativa de histórias e conhecimentos marginalizados.

Para nós o Sankofa não é apenas uma metáfora cultural, mas uma declaração decolonial que valida saberes e práticas ancestrais como fundamentais para a construção do futuro, em oposição à “Razão Indolente” que os desperdiça. Isso quer dizer que a plataforma não é apenas uma ferramenta de gestão de conteúdos, mas um experimento de reorganização social e epistêmica em si.

Plataforma ou anti-plataforma?

A Pluriverso oferece um conjunto de espaços e ferramentas integradas em nuvem, incluindo diversos sistemas que agem em conjunto, e por isso ela poderia ser enquadrada no conceito de “plataforma”. Porém, nada é tão simples. Entendendo que o conceito de plataforma encerra, hoje, muito mais do que os aspectos apenas tecnológicos, mas que envolvem profundas questões socioeconômicas e políticas, poderíamos dizer que a Pluriverso se aproxima mais do que seria uma anti-plataforma.

As chamadas Big Techs têm conseguido com sucesso passar a ideia de que plataformas digitais irão resolver nossos problemas cotidianos, em todos os campos, no transporte urbano, no consumo de fast-food, na compra e entrega de alimentos e objetos de consumo em geral e também na educação.

Mas esse processo está direta e intimamente ligado a profundas transformações socioeconômicas baseadas na extrema precarização do trabalho, conhecida, não por acaso, como uberização. A uberização surge como um novo modelo de trabalho, que, na teoria, se coloca como mais flexível, no qual o profissional presta serviços conforme a demanda, mas que, afinal de contas, trata-se de uma modalidade de emprego em que os trabalhadores não possuem vínculo empregatício com as plataformas que os contratam, implicando de fato na deterioração das relações trabalhistas.

Mas o imaginário do que seja uma plataforma continua sendo um sucesso na sociedade digitalizada, passando pela ideia de que ‘ela fará por nós’, ou de que ‘quanto menos tivermos de mexer, ou ler, ou aprender, melhor’. Desenvolvidas e aprimoradas a partir de estudos comportamentais que articulam dados sensíveis de bilhões de pessoas, armazenados em gigantescos data centers, as plataformas vêm, literalmente, treinando nosso comportamento e mudando nosso entendimento.

A Pluriverso nasce num movimento exatamente oposto a tudo isso, afetando diretamente a proposta de uso, as questões metodológicas e especificamente pedagógicas. Por isso gostamos de vê-la como uma anti-plataforma, porque ela não irá fazer o trabalho por você, porque foi pensada como integração de espaços e ferramentas que possibilitam ações, mas ela não opera por você. 

A Pluriverso inclui um sistema de gestão da aprendizagem ligado a um ambiente de rede e espaços de comunidade, baseado no conceito de “educonexão”. Este sistema foi projetado para permitir a criação autônoma de comunidades e o fortalecimento de redes orgânicas em meio digital, com funcionalidades como comunidades e fóruns de debates indexados, que facilitam a mediação, o diálogo e a escrita colaborativa.

Lançada em setembro de 2020, a plataforma foi desenvolvida sem grandes patrocinadores ou recursos financeiros substanciais, mas impulsionada pela “força da vontade solidária” de um coletivo. A Pluriverso não é somente “mais uma plataforma de cursos na internet”, mas um “ato de afeto e esperança ativa”, focado em potencializar redes orgânicas – aquelas comunidades e grupos que preexistem à conectividade digital, construídas sobre fortes vínculos político-afetivos e memória coletiva. Essa distinção é crucial, pois posiciona a Pluriverso como um sistema de apoio para conexões autênticas e existentes, em vez de um criador de laços artificiais.


No artigo A Emergência da Pluriverso, são apresentados, de forma mais aprofundada o contexto e o movimento no qual se insere o surgimento da pluriverso.

Você também pode, se preferir, escutar esse PodCast do programa “Mergulho Profundo”, uma parceria com a Gemini da Google, onde os condutores conversam sobre o conteúdo apresentado no Artigo.