Respostas do fórum criadas

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    Guilherme Borges

    Membro
    30 de julho de 2025 em 17:20 em resposta a: Histórias pessoais para narrativas de campanha

    É na confluência de assuntos, de lugares e de pessoas que conto minha história. Do meio norte maranhense ao litoral do sertão cearense, falar sobre minha pessoa e sobre minhas famílias é falar sobre música, geografia, saúde e terreiro. Logo, destacar as minhas individualidades é fornecer uma perspectiva de um dos segmentos dos povos e comunidades tradicionais do Brasil.

    Dito isto, começo com música! Eu nunca fui a pessoa que chora diante de produções audiovisuais. Filmes, séries, curtas… até os meus quinze anos eu lembro que eu contava nos dedos a quantidade de vezes que chorei nessas situações. Hoje, em retrospecto, esqueci de quase todos esses momentos – menos um. O ano era 2009, Michael Jackson tinha acabado de falecer e eu, acompanhando a programação da TV aberta, finalmente tive a chance de assistir a todos os seus videoclipes.

    Mesmo sem entender suas letras, um clipe chamou muito a minha atenção: Earth Song. Nele, a natureza exuberante e colorida nos primeiros segundos dá lugar a um cenário apocalíptico que, aos poucos, vamos entendendo que foi causado pela ação antrópica. Essa situação foi de tamanha importância em minha vida que, ao ser perguntado “o que você quer ser quando crescer?”, a minha resposta agora estava na ponta da língua: “quero ser ambientalista!”. Eu lembro de muitos olhares confusos, mas isso pouco me importou.

    No ensino médio eu passei por uma gincana escolar na qual uma de suas diversas provas era a escrita e apresentação de um projeto na Câmara Municipal de Dom Pedro – MA. Por estar responsável pela atividade, construí um projeto que visava a criação de uma “Casa da compostagem” para incentivar a limpeza urbana. Os vereadores não levaram a ideia adiante, mas esse projeto foi uma fagulha que direcionou minha atenção para perceber que o curso de geografia poderia me proporcionar esse olhar “ambientalista”.

    A graduação foi um dos período mais incríveis da minha vida. Pude entender a geografia como a ciência integradora e transversal que realmente é, e entender que era exatamente essa transversalidade que me traria empolgação. Nesse tempo eu pude vivenciar projetos de extensão, bolsas de iniciação científica, empresa júnior, centro acadêmico, laboratórios com distintas abordagens, organização de eventos, planejamento de minicursos e por aí vai. Experimentei, portanto, facetas de um trabalho privado e facetas de uma experiência pública.

    Uma coisa que entendemos durante a graduação em geografia é que esta ciência se agiganta principalmente a partir da transversalidade entre os tópicos que envolvem a sociedade e a natureza, além de ser um profissional com grande foco no que diz respeito ao espaço que nos cerca. Esse olhar é estratégico para a tomada de decisão de toda e qualquer organização que preste uma função social. Entretanto, por mais encantado que eu estivesse com a ciência geográfica, o meu caminho profissional estava se encaminhando para atividades mecanizadas e monotemáticas.

    No meio do caminho tinha uma pedra. Na verdade, quase! Um tumor misterioso e possivelmente maligno (de acordo com os médicos) surgiu na minha lombar esquerda em 2022. Além de ansiedade, acompanhamento psicológico, ansiedade, e atividades físicas (eu falei muita ansiedade?), fiz a promessa interna de que teria em meus dias o máximo de vida que eu pudesse ter, realizando todos os pequenos e grandes sonhos que estivessem ao meu alcance. Depois de meses com o diagnóstico oficial veio: fibromatose desmóide. É uma doença rara que envolve células cicatrizantes que se multiplicam sem saber quando parar.

    Esse processo trouxe uma mudança de posturas em todos os âmbitos da minha vida. Talvez a que mais tenha destaque seja o fato de que passei a ter como casa a comunidade tradicional de matriz africana Ile Ase Yeye Omin Iyo e vivenciasse com todas as forças a cosmovisão associada. Foi lá que eu aprendi que os orixás são, por primazia, a forma como a humanidade encontrou de decodificar e se comunicar com a natureza.

    É lá que, ao fazer pipoca de maneira ancestral e sob os cuidados de Yemanjá, eu me conecto com milênios de histórias que envolvem meu povo e meu orixá. A pipoca é um elemento simbólico (e real) aqui, pois além de ser a comida favorita de Omolu, também é sempre referenciada nos itãs (lendas) associados ao Velho por ter o elemento no qual todas as suas inúmeras feridas se transformaram. Este sim é o meu maior presente ancestral.

    De todo modo, as nossas articulações enquanto Terreiro me levaram ao primeiro treinamento em comunicação popular e à construção de uma rede nacional de jovens de comunidades tradicionais que, meses atrás, alcançou uma conquista histórica: pela primeira vez a cadeira da Juventude Povos e Comunidades Tradicionais ocupa sua posição no Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais.

    Quando eu saí do Maranhão eu trouxe comigo a vontade de viver tudo que fosse possível para que um dia, quando eu voltasse, eu pudesse causar um pouco de mudança em relação ao contexto de marginalização que eu percebia nas pessoas que estavam ao meu redor. Os alertas da minha saúde me trouxeram de volta esse raciocínio. Hoje eu entendo que, pensando em retrospecto, percebo que através do Centro Acadêmico eu pude avaliar o que é um trabalho coletivo; pelo Movimento Empresa Júnior eu entendi o que é a dinâmica de rede; pelo Greenpeace Fortaleza eu percebi que o ativismo ambiental é intimamente associado à questões raciais; e nas mobilizações do meu terreiro eu vislumbrei a confluência de todas essas vertentes. E é o que me faz sentido!

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    Guilherme Borges

    Membro
    17 de julho de 2025 em 12:20 em resposta a: Calendário de incidência política coletivo

    Oie, bom dia!

    Tô aqui explorando a plataforma e o único acesso ao ao calendário de incidências que encontrei é esse aqui. É possível acessarmos também a planilha? Quero adicionar outros eventos. s2

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    Guilherme Borges

    Membro
    13 de julho de 2025 em 20:22 em resposta a: Narrativas para campanha!

    Argumentos:
    1. A nível internacional: O termo “Povos e Comunidades Tradicionais” tem o mesmo sentido de “Local Communities”.

    2. A nível nacional: Pela continuidade de nossas tradições: queremos territórios demarcados!

    3. A nível local: Nossa cultura fornece bases para diferentes aspectos da cultura brasileira. Fornecer visibilidade aos PCTs é estimular a continuidade de nossas tradições.

    Mensagens (frases de efeito):

    1. Internacional: Nossa reividicação vai além da COP30. Lutamos por uma articulação global das Local Communities.

    2. Nacional: Territórios demarcados, já!

    3. Local: Potencializar nossas culturas é potencializar os verdadeiros defensores da soberania brasileira.

    Sugestão de nome da campanha:

    Brasil é PCT!